
O livro, em cuja capa se reproduz uma tela da pintora Alvani Borges, tem prefácio do poeta António Paiva e será apresentado pelo poeta Xavier Zarco.


O autor, Carlos Teixeira Luis e a editora Atelier de Produção Editorial convidam V. Exa. a assistir ao lançamento do livro “Histórias do Deserto”, no dia 8 de Maio pelas 19 horas, no auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, no Antigo Solar da Nora, Estrada de Telheiras, 146, em Telheiras, Lisboa (junto à saída da estação de metro: Telheiras).
A apresentação será feita pelos poetas António MR Martins e Vera Silva.
“Histórias do Deserto” é um livro misto de poesia, contos e pequenos textos.
Pressinto-te Morte, em espasmos de pranto,
Numa dor que sangra em fogo
Pesado, que m’esventra
E insuportavelmente m’alegra
Na chegada tranquila,
Em passos que ceifam almas
À passagem, e avança lenta
Na minha direcção.
a tempo da salvação
com lábios de feiticeiro)
Com alma que jaz, oculta
Entre promessas de amor eterno,
E já moribunda, pronuncio
Teu nome e rogo-te afincadamente
Que me leves daqui,
Onde a vida m’esbofeteia
Em cada esquina
Sem lágrimas nem contemplações.
(e como as trevas são tão mais belas
E mais puras que a imundice
Com que teus olhos m’enxergam)
Sorrirás perante a visão do cadáver
Em misto de alívio e conforto,
Num contentamento sublime
E merecedor, e a respiração
Segura caminhará nas portas
Do poema, escancaradas em ouro
Puro, para te receber
Com vénias serviçais.



António Paiva, nasceu a 21 de Março, de 1959, em Santo André, Vila Nova de Poiares, uma vila situada entre a Serra da Lousã e o Rio Mondego. Cresceu na aldeia do Travasso, concelho de Penacova. Uma aldeia de isolada na época, a estrada que a servia terminava na própria aldeia, sem ligação à sede do concelho. 









Sonho com o mar sem fim
Colado à imensidão do céu
e com nuvens que correm tão depressa
beijando as estrelas, de mansinho,
como o luar que brilha no horizonte.
Voo nas asas do sonho
rasando ondas que rebentam
em fúria de tempestade
sinto o sabor do mar
que se dissolve na minha boca.
Imagino-me no topo do mundo
e abro os braços à vida
olho pra baixo e quero
alcançar a eternidade
e saber o meu destino pra sempre.
Neste bosque sombrio
em que me perco e procuro
sou labirinto enraizado
fauno esquecido, musgo esmagado
alma de sol escondido.
Estas dunas que piso
secas, castelos de areia e eu
escondem oceanos de chuva
cadências do meu sentir
lágrimas há muito caídas.
Para esta estrada silenciosa
que percorro lentamente
ávido de esperança e coragem
sou barco encalhado na vida,
que nunca chegará a bom porto...
