Cobre-se de negro a face pálida…
Perdem-se as palavras
No vazio do silêncio,
E escondem-se as mãos
Em bolsos sem fundo,
Algemadas pela dor da saudade.
Acorrentam-se sentimentos
A sombras tenebrosas,
Omitem-se palavras e gestos
E esvazia-se a alma
Num
Onde nem a luz penetra.
Vem a morte deitar-se na cama
Tomando o ensejo da cobiça.
Deixo-me estar, invadida e resoluta,
Até que me sorva integralmente,
Sem contestar,
Embriagada pela condolência
E navego no instante da futilidade
Intoxicada pelo teu veneno.
Sou perversidade sem palavras
Exigindo a morte silenciosamente.
Vera Sousa Silva

















