domingo, junho 08, 2008

Traço vazio



O traço vazio marca o tempo, suja o papel, outrora imaculado e ávido de palavras.

A realidade mostra-se cruel, ingrata e impiedosa. Diferente, tão diferente dos sonhos…

Finjo que não te amo, esperando que penses que senti apenas uma paixão passageira, dessas que nos rebentam o coração em taquicardias e que nos fazem faltar o ar por breves instantes. Assim talvez continues por perto, sem receios.

Por vezes caminho sem rumo e já não tenho esperança de ouvir as palavras que esperei por séculos, com avidez e fome, como a folha de papel à minha frente. As estradas parecem-me todas iguais e já não espero ver-te na próxima esquina, esperando-me com um ramo de tulipas, sorrindo, com esse teu ar doce e angelical, tão de menino, tão teu…

Sem esperança fica o sonho que combato acordada e em silêncio… mas à noite…

À noite sonho contigo, secretamente! Temos uma nova vida em que nos basta atravessar a ponte do pensamento e somos apenas um, por alguns instantes. Eu sou a Lua e tu o Sol e cruzamo-nos no espaço infinito, em que o sonho acontece devagar, subtil e intenso. Não há barreiras nem distância, apenas Amor, puro, doce, suave… As tuas mãos entrelaçam-se nas minhas e juntos vemos o sorriso das estrelas.

A realidade é tão diferente…

O traço vazio marca o tempo, suja o papel, e eu já nada espero de ti.


Vera Sousa Silva
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