sexta-feira, junho 20, 2008

Declaração


Esvazia-me a tristeza dos meus olhos
Que brilham na tua presença
E te pousam no regaço, devagar.
Lava-me o sorriso falso do rosto
Com as lágrimas que te tombam
Pela inquietude da dúvida.

Não verás que tudo é falso em mim?

Atiça-me a raiva e amarra-me
Numa qualquer onda que bata na areia
E se cruze nos teus pés.
Tira-me a venda e empurra-me
Na direcção da cruel verdade,
Se te é tão simples não me amar.

Não verás que tenho medo?

Rasga-me esta capa de orgulho
Que me cobre de nuvens cinzentas
E me chove os dias primaveris.
Obriga-me a soletrar as palavras
Que não te ouso dizer
E tapa-me a nudez da sensibilidade.

Não verás que te amo?
Vera Sousa Silva
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