sexta-feira, maio 22, 2009

Coberta de negro


Cobre-se de negro a face pálida…
Perdem-se as palavras
No vazio do silêncio,
E escondem-se as mãos
Em bolsos sem fundo,
Algemadas pela dor da saudade.

Acorrentam-se sentimentos
A sombras tenebrosas,
Omitem-se palavras e gestos
E esvazia-se a alma em chamas
Num
vácuo obscuro
Onde nem a luz penetra.

Vem a morte deitar-se na cama
Tomando o ensejo da cobiça.

Deixo-me estar, invadida e resoluta,
Até que me sorva integralmente,
Sem contestar,
Embriagada pela condolência
E navego no instante da futilidade
Intoxicada pelo teu veneno.

Sou perversidade sem palavras
Exigindo a morte silenciosamente.


Vera Sousa Silva


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