segunda-feira, março 17, 2008

Se eu pudesse...


As ruas estavam desertas, embaladas pelo gritar da chuva gelada naquela tarde de Inverno.
Em frente à lareira desfolho o álbum da nossa vida, folha por folha, foto por foto... O silêncio é cortado apenas pelo soluçar da solidão e pelos gemidos da saudade.
Faz tanto tempo que partiste e não há forma desta dor acabar ou morrer mais um pouco. Pelo contrário, está cada vez mais viva, mais ardente, mais louca! Louca como eu, por te amar tanto e mesmo assim deixar-te ir...
Se eu pudesse, meu amor, hoje o sol brilharia quente para nós dois, aquecendo ainda mais o nosso beijo e as nossas almas seriam apenas uma!
Se eu pudesse mergulhava na coragem e gritava que quero loucamente que sejas meu, só por hoje!
Se eu pudesse voltava atrás... agarrava-te na mão e pedia-te que ficasses e não seria preciso dizer-te nada, porque tu entenderias tudo lendo os meus olhos e adivinhando os meus gestos que sempre te seguiram...
Se eu pudesse e tivesse coragem iria até à janela... O grito da chuva chama-me e nesta tarde de Inverno seria uma boa tarde para me deixar embalar pelo vento.


Vera Silva
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