domingo, abril 26, 2009

Alienada




Fui a louca que sonhou
com sangue irrequieto pulsando,
espiando a nudez do mundo
e esgueirando-se nos esconderijos
paralelos das sombras.

Fui a louca que viveu
amedrontada pela mágoa,
refugiada na dor do sossego
que mente às consciências
tresloucadas dos sentimentos.

Fui a louca que amou
numa overdose de quimera,
cega pela incandescência da mentira
proferida por lábios embaciados
de trevas devoradoras.

Fui a louca que morreu
esquecida num deserto qualquer,
gelada e desperta pela lâmina
com que m'amputaste a alma
apenas com um silêncio.


Vera Sousa Silva
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